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CGNAT para provedor: o que é, por que você vai precisar e como não quebrar o cliente

09:29
CGNAT para provedor de internet — 100.64.0.0/10, log de tradução e IPv6

CGNAT (Carrier-Grade NAT) deixou de ser assunto de provedor grande. Com o IPv4 esgotado e o preço do bloco lá em cima, cedo ou tarde todo provedor precisa compartilhar um IP público entre vários clientes. A pergunta não é se, é como — sem quebrar quem usa CFTV, jogo online ou trabalha com porta aberta.

O que é CGNAT, na prática

No cenário antigo, cada cliente pegava um IPv4 público. Hoje isso é caro e escasso. Com CGNAT (também chamado de NAT444), o provedor faz uma segunda camada de NAT: vários clientes saem pra internet compartilhando o mesmo IP público, cada um identificado por uma faixa de portas. O cliente continua com internet normal — ele só não tem mais um IP público exclusivo.

Use a faixa 100.64.0.0/10 (não o 10.x)

A RFC 6598 reservou o bloco 100.64.0.0/10 justamente pra CGNAT. Use ele entre o roteador do cliente e o seu concentrador, e não a faixa 10.0.0.0/8. Motivo simples: muita gente já usa 10.x e 192.168.x na rede interna de casa. Se você também usar 10.x no transporte, vai ter conflito de rota e dor de cabeça pra suportar. O 100.64/10 existe pra não colidir com nada.

O que o cliente perde — e como contornar

Atrás de CGNAT, o cliente não consegue mais:

  • Abrir porta pra CFTV/DVR acessível de fora;
  • Hospedar servidor ou acessar a casa por IP direto;
  • Alguns jogos e aplicações P2P reclamam de NAT restrito.

As saídas: oferecer IPv6 (que resolve de vez, porque sobra endereço pra todo mundo) e manter um plano/opção de IP público dedicado pra quem precisa (custa uma taxa e sai do CGNAT). A maioria esmagadora dos clientes nem percebe que está em CGNAT.

O ponto que muita gente esquece: log é obrigação legal

No Brasil, o Marco Civil da Internet obriga o provedor a guardar registro de conexão. Com CGNAT, um IP público é usado por vários clientes ao mesmo tempo — então só o IP não identifica ninguém. Você precisa logar a tradução: qual cliente usou qual IP público, em qual faixa de portas, em qual horário. Se chega um ofício e você não consegue apontar o assinante, o problema vira seu. Esse log é inegociável numa operação de CGNAT séria.

Onde a gente resolve isso

Montar CGNAT no braço até dá — mas guardar o log de tradução com eficiência, consultar rápido quando chega ofício e escalar sem estourar o equipamento é outra história. O NATVault foi feito pra isso: cuida do CGNAT e guarda o registro de tradução pronto pra atender exigência legal, sem você virar refém de um logbook improvisado.

A saída definitiva chama IPv6

CGNAT é ponte, não destino. Quanto antes você ligar IPv6 na sua rede, menos tráfego passa pelo CGNAT e menos gente sofre com NAT restrito. O ideal é rodar os dois: IPv6 nativo pra quem tem suporte e CGNAT no IPv4 pro resto. Planeje isso desde já — seu eu do futuro agradece.

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