
Monitorar a rede GPON em tempo real é o que separa o provedor que descobre o problema antes do cliente ligar do provedor que fica sabendo da queda pelo grupo do WhatsApp. Se você opera OLT e ONUs numa rede FTTH, aqui vai o que realmente importa ficar de olho — e por quê.
1. Sinal óptico da ONU (Rx power)
É o primeiro número que você olha quando um cliente reclama. O sinal que chega na ONU (Rx, em dBm) diz se o problema é na fibra, na CTO ou no cliente. Faixa prática numa rede GPON:
| Sinal Rx na ONU | Situação |
|---|---|
| -8 a -24 dBm | Ótimo — operação normal |
| -25 a -27 dBm | Atenção — investigar emenda/conector |
| pior que -28 dBm | Crítico — ONU perde sinal / cai |
| melhor que -8 dBm | Sinal alto demais (overload) — atenuar |
ONU que ontem estava em -22 dBm e hoje amanheceu em -27 dBm quase sempre é conector sujo, emenda ruim ou curvatura no drop. Sinal caindo em várias ONUs da mesma PON ao mesmo tempo aponta pro tronco — splitter, fusão no CTO ou a própria porta PON.
2. ONUs por PON (quem está online / offline)
Cada porta PON atende dezenas de clientes por um splitter. Ver quantas ONUs estão online por PON e quais caíram é o mapa da sua rede. Cinco ONUs offline espalhadas = provavelmente cliente desligou o roteador. Cinco ONUs offline na mesma PON, ao mesmo tempo = você tem um rompimento ou uma CTO sem energia. O padrão dos alarmes conta a história.
3. Motivo da última queda (LOS, dying gasp, power off)
A OLT registra por que cada ONU caiu. Vale ouro:
- LOS (Loss of Signal): a fibra parou de chegar — rompimento, conector ou sinal muito baixo.
- Dying Gasp: a ONU avisou que perdeu energia antes de morrer — falta de luz na casa do cliente ou na CTO.
- Power off: desligou normalmente.
Com esse dado você nem precisa mandar técnico à toa: um monte de dying gasp na mesma região é queda de energia da concessionária, não problema seu.
4. Temperatura e Tx da OLT
SFP da porta PON esquentando ou com Tx caindo degrada a rede inteira antes de dar LOS. Monitorar temperatura e potência de transmissão da OLT pega o defeito enquanto ainda é barato resolver.
5. Ocupação da CTO e da PON
Saber quantos clientes cabem ainda em cada CTO e cada PON evita você vender um plano que a porta não aguenta. CTO passando de 100% de ocupação é dor de cabeça garantida.
Fazer isso na mão não escala
Consultar a OLT por telnet/SSH toda vez que um cliente liga funciona com 50 clientes. Com 500 ou 5.000, você precisa de um painel que junte tudo isso, gere alarme e mostre o histórico. É exatamente pra isso que a gente construiu o FiberPulse aqui na Ceritell: um NOC que lê sua OLT, mostra sinal de cada ONU, quedas por PON, ocupação de CTO e dispara alerta quando algo sai da faixa — feito por quem é provedor, não por quem só leu sobre GPON.
Monitorar bem não é luxo: é o que derruba seu tempo de reparo e o volume de chamado. Comece medindo sinal e olhando alarme por PON — só isso já muda o jogo.